Angola pede a Não-Alinhados que condenem interferência nos assuntos internos dos estados-membros

Angola pede a Não-Alinhados que condenem interferência nos assuntos internos dos estados-membros


O vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, pediu sábado ao Movimento de Países Não Alinhados que se mantenham coesos na defesa dos estados-membros e dos princípios daquele organismo, condenando interferências nos assuntos internos.

"Devemos promover a coesão dos Estados para poder manter-nos fiéis e defender, com firmeza, os propósitos e princípios que foram as bases da criação do Movimento, contidos na Carta de Bandung, na declaração de Havana, de Bali e na Carta das Nações Unidas", disse.

Manuel Rodrigues Vicente falava na sessão na sessão de abertura da XVII Cimeira dos Não-Alinhados, que decorre na ilha venezuelana de Margarita, uma intervenção que terminou com um "muito obrigado", em Língua portuguesa, do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

"Devemos recusar a interferência nos assuntos internos dos nossos Estados e o desrespeito pela integridade territorial e a soberania dos nossos povos, que tendem a desacelerar o crescimento económico e o desenvolvimento sustentável dos países em vias de desenvolvimento", disse.

Por outro lado, pediu uma maior articulação com “os organismos das Nações Unidas para ter uma abordagem séria e identificar as políticas de crescimento económico e sustentáveis, igualitárias, para que o mundo seja menos desigual e politicamente estável".

"Os nossos países devem, num esforço concertado, defender a reforma do sistema das Nações Unidas, a reestruturação do Conselho de Segurança, a melhoria das relações com os organismos principais das Nações Unidas e a revitalização do trabalho da Assembleia-Geral", frisou.

Segundo Manuel Rodrigues Vicente os Não-Alinhados devem ainda "continuar a condenar todas as políticas e práticas discriminadoras que impedem o acesso dos países em vias de desenvolvimento de obter os benefícios da informação e tecnologias de comunicação e de redes estabelecidas em países desenvolvidos".

Para Angola, a "complexidade dos problemas que enfrenta o mundo atual" requerem "concertação, diálogo e negociação permanente" porque a interdependência e maior proximidade fazem que os problemas locais se tornem globais, obrigando a respostas concertadas e universais para acabar com os crimes transnacionais, as grandes doenças endémicas, o terrorismo e a destruição contínua do meio ambiente.

Durante a sua intervenção, Manuel Vicente destacou que "Angola tem sido um fator de paz importante e de estabilidade regional e internacional".

Enquanto líder da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos, Angola tem vindo a realizar “um debate ministerial aberto sobre a manutenção da paz e da segurança internacional, prevenção de conflitos e resolução de conflitos na região, que assentou bases que podem contribuir para a resolução dos conflitos que continuam afetando a sub-região de África".

Angola continuará comprometida "com a promoção e preservação da harmonia e da segurança" na continente africano e em recuperar "a sua capacidade produtiva, na promoção da diversificação da sua economia nacional", acrescentou o governante.

Lusa/Fim